A indústria metalúrgica espanhola aproxima-se do final de 2026 num contexto de incerteza internacional, marcado por tensões geopolíticas, volatilidade dos mercados energéticos e aumento dos custos de produção. De acordo com o relatório de conjuntura económica e laboral da Confemetal, publicado em outubro, o setor regista uma melhoria gradual do volume de negócios e perspetivas mais favoráveis para o encerramento do ano, embora persistam riscos para a competitividade, associados à fragilidade das exportações, aos custos energéticos e logísticos e ao preço das matérias-primas.
O inquérito sobre o sentimento económico no setor revela uma evolução relativamente favorável do emprego e a capacidade das empresas para se adaptarem a um contexto complexo. Ainda assim, a fragmentação do comércio internacional e os conflitos geopolíticos continuam a afetar as cadeias de abastecimento e os mercados energéticos. A Confemetal considera, por isso, necessário assegurar um abastecimento energético seguro e a preços competitivos, facilitar o acesso dos projetos industriais às redes de energia, conter os custos das empresas e reduzir os encargos regulamentares, de forma a reforçar a competitividade da indústria espanhola e europeia.
No que respeita à atividade produtiva, a produção industrial do setor metalúrgico aumentou 1,7% em termos homólogos em agosto, depois de ter crescido 4,4% em julho. No conjunto dos primeiros oito meses de 2026, o crescimento foi de 1,6%. Por ramo de atividade, destacaram-se o fabrico de outros equipamentos de transporte e o de equipamento elétrico.
O volume de negócios da indústria metalúrgica cresceu 2,7% em julho, embora tenha registado uma descida acumulada de 1,2% nos primeiros sete meses do ano. Entre os ramos com melhor desempenho destacaram-se o fabrico de equipamento elétrico e a metalurgia, incluindo a produção de ferro, aço e ferro-ligas.
Os preços industriais dos produtos metalúrgicos mantiveram também uma tendência ascendente. Em agosto, aumentaram 5,3% face ao mesmo mês de 2025, depois de uma subida de 5% em julho. No acumulado do ano, a variação foi de 1,4%. A metalurgia e o fabrico de produtos de ferro e aço, bem como de ferro-ligas, registaram alguns dos aumentos mais expressivos.
No comércio externo, as exportações do setor aumentaram 7,7% em termos homólogos em julho e 3,7% no acumulado do ano. As importações cresceram 7,4% em julho e 7,9% nos primeiros sete meses de 2026. Esta evolução levou o défice comercial acumulado a atingir 23.349 milhões de euros, mais 28,7% do que no período homólogo de 2025.
Por categorias, as exportações de metais comuns e suas obras cresceram 17,7% em julho, enquanto as de máquinas, aparelhos e material elétrico aumentaram 9%. As exportações de instrumentos mecânicos de precisão registaram igualmente uma subida de 10%.
O emprego também evoluiu favoravelmente. Em setembro, a indústria metalúrgica contava com 849.052 trabalhadores inscritos na Segurança Social, mais 2,5% do que no mesmo mês do ano anterior. A média de trabalhadores inscritos nos primeiros nove meses de 2026 foi de 842.220, o que representa um aumento de 2,2% face ao período homólogo.
Segundo os dados do Inquérito à População Ativa (EPA), o número de pessoas empregadas na indústria metalúrgica atingiu 1.193.400 no segundo trimestre de 2026, mais 1% do que no mesmo período do ano anterior e mais 27.300 do que no trimestre precedente. Os setores automóvel e da defesa destacaram-se pelo seu contributo para o emprego. Ainda assim, o número de desempregados no setor ascendeu a 46.800, mais 29,6% do que no segundo trimestre de 2025, apesar de ter diminuído 1,9% face ao trimestre anterior.
O mercado do aço reflete igualmente a evolução dos custos. Em setembro, o índice de preços do varão para betão armado situou-se nos 243,56 pontos, menos 0,46% do que em agosto, mas mais 22,18% do que no mesmo mês de 2025. Os índices médios de preços de diferentes produtos siderúrgicos apontam também para aumentos em referências como o varão para betão armado, as chapas e os perfis comerciais.
Em síntese, os dados da Confemetal mostram uma evolução desigual da indústria metalúrgica espanhola. A produção, as exportações e o emprego mantêm taxas de crescimento positivas, mas o volume de negócios acumulado recua, os preços industriais continuam a subir e o défice comercial agrava-se. A evolução dos custos e a melhoria das condições de competitividade serão determinantes para consolidar a atividade do setor e reforçar a sua capacidade produtiva.

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