A redução das emissões na produção de ferro e aço continua a avançar lentamente na Europa, apesar dos progressos ambientais alcançados pela indústria nos últimos 15 anos. A conclusão consta de um relatório da Agência Europeia do Ambiente (AEA), que defende um reforço do investimento, das infraestruturas e das políticas industriais para conciliar a competitividade com a transição climática.
O documento, intitulado ‘Europe’s industrial transformation – from environmental progress to clean competitiveness’, analisa os desafios da transformação dos principais setores industriais europeus. Segundo a agência, embora as emissões de poluentes industriais e de gases com efeito de estufa tenham diminuído, a redução das emissões por tonelada de produto na produção de cimento, ferro e aço tem sido moderada desde 2010.
A AEA considera que a próxima fase da transição exige a aplicação de tecnologias de transformação em larga escala. O principal obstáculo já não reside apenas na disponibilidade tecnológica, mas também nas condições necessárias para implementar as soluções existentes a um ritmo mais rápido.
Entre os desafios identificados está a necessidade de colmatar um défice anual de financiamento estimado entre 30 mil milhões e 60 mil milhões de euros até 2030, destinado à transformação industrial. Para mobilizar os recursos necessários, o relatório aponta a importância de atrair capital privado e de criar um enquadramento político que proporcione maior previsibilidade aos investimentos.
A expansão das infraestruturas constitui outro fator determinante, nomeadamente no fornecimento de eletricidade e hidrogénio e no desenvolvimento das tecnologias de captura e armazenamento de carbono. A agência identifica ainda dificuldades no acesso aos materiais necessários à transição e lacunas nas competências técnicas disponíveis na União Europeia (UE).
O acesso a eletricidade renovável a custos reduzidos é igualmente apontado como uma prioridade. A eletrificação dos processos industriais poderá contribuir para reforçar a segurança energética e melhorar a competitividade das empresas, embora os custos iniciais da transformação continuem a representar um desafio.
O relatório defende uma política industrial integrada que articule os objetivos climáticos e ambientais com o reforço da competitividade europeia. Esta abordagem deverá combinar medidas de proteção das empresas durante a transição, incentivos ao investimento e à criação de mercados para soluções mais limpas, bem como uma transformação dos modelos industriais e das cadeias de valor.
A Agência Europeia do Ambiente alerta que regras ambientais mais exigentes ou um preço do carbono mais elevado poderão não ser suficientes, por si só, para assegurar esta mudança. Vai ser também necessário desenvolver infraestruturas, garantir o acesso a energia e materiais e reforçar as competências técnicas.
A longo prazo, uma indústria com menores emissões e utilização mais eficiente dos recursos poderá constituir uma vantagem competitiva para a Europa. Para concretizar esse potencial, a agência considera essencial acelerar a aplicação das tecnologias disponíveis e criar condições para uma transformação industrial em larga escala.


www.intermetal.pt
InterMETAL - Informação profissional para a indústria metalomecânica portuguesa