Da maquinação convencional às aplicações de elevada precisão, a parceria entre a Midaco e a Thermocompact disponibiliza à indústria portuguesa uma gama diversificada de fios para eletroerosão, com destaque para o novo Thermo VT7X – VaporTech, concebido para aumentar a velocidade de corte e assegurar a consistência do processo.
A produtividade na eletroerosão por fio depende das capacidades da máquina e da escolha do consumível. As características do fio influenciam a velocidade de corte, a estabilidade da maquinação, a precisão dimensional e o custo final das peças. Para as empresas de moldes e da metalomecânica, a seleção adequada pode traduzir-se em ganhos de eficiência e melhor utilização dos equipamentos.
A Midaco, empresa portuguesa sediada na Marinha Grande, trabalha em parceria com a Thermocompact, fabricante francês especializado em fios técnicos para eletroerosão. A colaboração permite disponibilizar soluções adaptadas a diferentes máquinas, materiais e requisitos de produção, desde os fios convencionais de latão até às referências revestidas de elevado desempenho.
A novidade mais recente é o Thermo VT7X – VaporTech, um fio com núcleo de latão e revestimento à base de zinco. Segundo o fabricante, esta tecnologia permite atingir velocidades de corte até 30% superiores às dos fios convencionais de latão, dependendo do equipamento e dos parâmetros de maquinação.
Fundada em 2003, a Midaco fornece consumíveis, acessórios e equipamentos técnicos para os setores dos moldes, dos plásticos e da metalomecânica. A parceria com a Thermocompact, presente no mercado dos fios para eletroerosão desde 1973, complementa a proximidade ao mercado português com a experiência de um fabricante especializado em ligas metálicas e revestimentos.
A diversidade da oferta responde a uma exigência técnica: não existe um fio ideal para todas as operações. A resistência à tração, o alongamento, a condutividade elétrica e o revestimento influenciam o comportamento durante a maquinação, tal como a tecnologia da máquina, a espessura da peça, a geometria e as tolerâncias pretendidas.
Entre as soluções disponíveis encontram-se os fios de latão Thermo Brass 900, 500 e 400. O primeiro, com resistência à tração de aproximadamente 900 N/mm², privilegia a estabilidade e a precisão. O Thermo Brass 500, com resistência de cerca de 500 N/mm² e alongamento de 20%, adequa-se a operações que exigem flexibilidade, incluindo cortes inclinados até 12 graus. O Thermo Brass 400 permite trabalhar com conicidades até 20 graus, em condições adequadas.
Para operações de maior produtividade, a gama inclui os fios revestidos Thermo TEX e Thermo SWX. O primeiro foi desenvolvido para velocidades elevadas e apresenta uma condutividade elétrica de 70% IACS. O Thermo SWX, com 80% IACS, está associado a determinadas tecnologias de máquinas, incluindo equipamentos GF Machining Solutions/AgieCharmilles e ONA.
A compatibilidade com o equipamento orienta também o desenvolvimento dos fios Thermo JP2 e Thermo JP+, destinados a determinadas tecnologias de máquinas japonesas. Enquanto o JP2 combina velocidade e precisão dimensional, o JP+ privilegia a fiabilidade do enfiamento automático, relevante em equipamentos que trabalham durante períodos prolongados e com reduzida intervenção do operador.
A oferta inclui ainda o Thermo SA+, orientado para aplicações que exigem precisão e velocidade, e o Thermo SE, recomendado para peças com espessuras superiores a 100 mm. Para aplicações especiais, a família Thermo ZF, sem zinco e com elevada condutividade elétrica, inclui soluções recomendadas para determinadas ligas à base de níquel e componentes aeronáuticos.
A eletroerosão estende-se, assim, para além do fabrico tradicional de moldes e ferramentas. A capacidade de maquinar materiais resistentes e geometrias complexas torna o processo relevante também para aplicações aeronáuticas e médicas, onde a precisão dimensional é determinante.
O Thermo VT7X combina um núcleo de latão 63/37 com um revestimento à base de zinco, desenvolvido para melhorar o comportamento do fio durante as descargas elétricas. A solução destina-se ao corte principal e ao acabamento, procurando conciliar produtividade, estabilidade e rigor dimensional.
Segundo o fabricante, o fio apresenta resistência à tração superior a 780 N/mm², limite de elasticidade de 720 N/mm² e alongamento de 2%. A condutividade elétrica é de 25% IACS. A tolerância do diâmetro situa-se entre 0 e -0,002 mm, enquanto a ovalização é inferior a 0,002 mm.
Estas características procuram assegurar consistência em operações nas quais o controlo geométrico é tão importante como o tempo de maquinação. O fabricante destaca ainda a tecnologia No Dust, associada à redução das partículas libertadas pelo revestimento. Esta propriedade poderá limitar determinados resíduos, sem eliminar os inerentes ao processo de eletroerosão.
A velocidade de corte anunciada, até 30% superior à dos fios convencionais de latão, constitui o principal argumento de desempenho do VT7X. Os resultados dependerão da máquina, dos parâmetros utilizados e das condições de trabalho, pelo que a compatibilidade deverá ser confirmada em cada aplicação.
A redução dos tempos de corte pode melhorar o aproveitamento dos equipamentos e aumentar a capacidade produtiva. Uma operação de dez horas, beneficiando de um aumento efetivo de 30% na velocidade, poderá passar a demorar cerca de sete horas e 41 minutos, uma redução de aproximadamente 23%. Este cenário é indicativo e deverá ser validado através de ensaios comparativos.
A avaliação económica não deve limitar-se ao preço do fio. O custo total inclui o tempo de máquina, os consumíveis, a energia e os recursos necessários para concluir a operação. Um fio mais caro poderá revelar-se vantajoso se os ganhos de produtividade compensarem o investimento adicional.
A escolha deve considerar a peça, o equipamento e os objetivos de produção. Conforme a aplicação, poderá ser prioritária a flexibilidade para cortes inclinados, a velocidade de maquinação, a fiabilidade do enfiamento automático ou a adequação a materiais específicos.
A parceria entre a Midaco e a Thermocompact disponibiliza alternativas para estas exigências.


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