Informação profissional para a indústria metalomecânica portuguesa

Deibar aposta na proximidade e mostra tecnologia em contexto real

Susana Marvão22/10/2026

Para assinalar a recente parceria com a DN Solutions, a Deibar reuniu clientes, fabricantes e especialistas nas suas instalações em Santa Maria da Feira, num Open House com 12 máquinas em demonstração. Para Vítor Fragoso, diretor-geral da empresa, o evento refletiu a evolução de um mercado onde a tecnologia já não basta: é a proximidade e a confiança, testadas no dia a dia, que decidem quem fica.

O Open House da Deibar teve como principal objetivo divulgar a recente parceria da empresa com a DN Solutions
O Open House da Deibar teve como principal objetivo divulgar a recente parceria da empresa com a DN Solutions.

Há investimentos que começam numa folha de cálculo. Outros precisam de ser vistos a funcionar. Foi essa a lógica que levou a Deibar a abrir as portas das suas instalações, em Santa Maria da Feira, entre 27 e 30 de maio, para um Open House que reuniu 12 máquinas de dez fabricantes internacionais de referência. Mais do que apresentar tecnologia, a empresa procurou criar um espaço onde clientes, fabricantes e especialistas pudessem discutir processos, esclarecer dúvidas e acompanhar demonstrações em contexto real.

A iniciativa marcou também o regresso de um formato que a empresa tinha deixado para trás há vários anos. Durante muito tempo, a Deibar organizou regularmente dias de portas abertas, alternando-os com a participação na EMAF. Contudo, o crescimento da atividade acabou por transformar o espaço de exposição num verdadeiro armazém de máquinas, levando a empresa a privilegiar a presença nas principais feiras do setor. “A realidade mudou”, explica à InterMetal Vítor Fragoso, diretor-geral da Deibar. A alteração do calendário das feiras industriais e, sobretudo, a entrada da DN Solutions no portefólio da empresa criaram o contexto ideal para recuperar este modelo de proximidade. “Decidimos fazer estas portas abertas com o objetivo de divulgar a DN Solutions ao mercado português”, confirma.

Mas a apresentação de uma nova representada foi apenas o ponto de partida para um desafio mais vasto. Hoje, num setor onde cada equipamento representa um investimento significativo e onde as decisões são cada vez mais condicionadas pela incerteza económica, mostrar uma máquina a trabalhar pode ser tão importante como apresentar uma proposta comercial.

O evento contou com a participação de diversos parceiros da empresa

O evento contou com a participação de diversos parceiros da empresa.

O peso da incerteza

Para quem acompanha diariamente a indústria transformadora, Vítor Fragoso admite que o maior desafio deixou de ser apenas acompanhar a evolução tecnológica e assume que a imprevisibilidade do mercado tornou-se um fator decisivo. “O mais difícil é precisamente essa indefinição do mercado. Já não digo do futuro a longo prazo. A incerteza é do amanhã”, resume o diretor-geral. “Quando digo amanhã, é já amanhã”, reforça.

Essa realidade sente-se tanto do lado dos fabricantes como do lado dos clientes, contou à InterMetal, garantindo que a Deibar assume compromissos com os seus parceiros internacionais e, ao mesmo tempo, acompanha empresas que precisam de ponderar cuidadosamente investimentos de elevado valor.

Ainda assim, o responsável considera que os ciclos de decisão não se prolongaram de forma significativa. “São equipamentos de muito valor e as empresas sempre pensaram antes de investir”, explica. A diferença está na forma como esse processo é hoje acompanhado. “Como andamos todos os dias no mercado, apanhamos o cliente a pensar alto e pomo-nos imediatamente ao lado dele. Fazemos os estudos, as propostas e tentamos vestir mesmo a camisola do cliente”.

Essa proximidade transformou profundamente o papel da empresa. A venda deixou de ser um simples processo comercial para assumir contornos de consultoria técnica, ajudando os clientes a identificar a solução mais adequada às necessidades concretas de produção. “Não vamos inventar nem vender por vender. Não queremos clientes só por uma máquina”, sublinha.

A iniciativa reforça a aposta da Deibar na relação de proximidade com os seus clientes

A iniciativa reforça a aposta da Deibar na relação de proximidade com os seus clientes.

Uma maratona, não um sprint

Neste mercado, onde a concorrência está sempre alerta, conquistar um cliente pode levar meses. Para explicar essa realidade, Vítor Fragoso recorre a uma metáfora agrícola: primeiro prepara-se o terreno, depois semeia-se, acompanha-se o crescimento e tenta-se proteger a relação da concorrência. Mas é outra comparação que melhor sintetiza a filosofia comercial da empresa. “Vender máquinas não é para sprinters. É para maratonistas”. A frase acaba por resumir uma atividade onde a decisão final representa apenas o culminar de um processo longo de acompanhamento técnico, visitas, demonstrações e esclarecimento de dúvidas. Ao longo desse percurso, explica Vítor Fragoso, a confiança ganha um peso tão importante como as características do equipamento. Afinal, disse à nossa revista, uma máquina representa um investimento que acompanhará a produção da empresa durante muitos anos.

“Vender máquinas não é para sprinters. É para maratonistas”

O evento foi uma oportunidade para receber jovens promessas da metalomecânica nacional
O evento foi uma oportunidade para receber jovens promessas da metalomecânica nacional.

O verdadeiro desafio começa depois da venda

É precisamente aí que, para a Deibar, começa a parte mais importante do negócio. “O desafio começa depois”, afirma Vítor Fragoso, recorrendo a uma analogia com um casamento. “No início é tudo muito bonito. Faz-se a festa, comunicam-se as novidades aos amigos. O verdadeiro desafio começa depois, no dia a dia”.

Com os clientes, defende, acontece exatamente o mesmo.

“As nossas máquinas são boas. Temos boas marcas e isso é reconhecido pelos clientes e até pela concorrência. Mas eu sei que, por muito boa que uma máquina seja, um dia vai ter uma dor de cabeça”. É nesse momento que, na visão da empresa, se mede verdadeiramente a qualidade do fornecedor.

“Quando a máquina tiver uma dor de cabeça, o cliente sabe que tem a quem recorrer. Nós não abandonamos os nossos clientes”.

Equipa da Deibar
Equipa da Deibar.

Mostrar tecnologia em funcionamento

Mãos “na” obra. Foi precisamente essa lógica que esteve na origem deste Open House. Em vez de limitar a apresentação das soluções a catálogos ou apresentações comerciais, a Deibar optou por reunir nas suas instalações fabricantes internacionais, especialistas técnicos e equipamentos em funcionamento, permitindo aos visitantes observar diretamente as capacidades das diferentes tecnologias.

Ao longo de quatro dias, passaram por Santa Maria da Feira máquinas e soluções de marcas como DN Solutions, Hermle, Sodick e Röders, num evento que contou também com os parceiros da Deibar, Blum-Novotest, Emuge-Franken, Open Mind, Tungaloy, Serkide e Haimer.

Vítor Fragoso reforçou que este evento quis ser muito mais do que uma demonstração tecnológica. Quis refletir a evolução de um mercado onde, nas suas palavras, vender uma máquina já não basta, por muita tecnologia que lhe esteja associada. É a relação construída antes, e sobretudo depois, da venda que faz verdadeiramente a diferença.

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