A quinta edição do ‘Post-Processing Survey Trends Report 2026’, elaborado pela PostProcess Technologies, confirma que o pós-processamento continua a ser um dos principais fatores que condicionam a industrialização do fabrico aditivo. O estudo evidencia uma preocupação crescente com a consistência das peças, a automatização das operações, a disponibilidade de mão de obra qualificada e o impacto dos processos na segurança dos operadores e na sustentabilidade.
Durante anos, a atenção do setor do fabrico aditivo centrou-se sobretudo na evolução das tecnologias de impressão. No entanto, à medida que as aplicações passam da prototipagem para a produção industrial, um dos principais desafios surge depois de concluída a impressão.
Esta é uma das principais conclusões do ‘Post-Processing Survey Trends Report 2026’, elaborado com base nas respostas de profissionais de vários setores industriais e com diferentes níveis de experiência em fabrico aditivo. O relatório defende que o pós-processamento deixou de ser uma etapa secundária para se tornar um elemento determinante da produtividade, da qualidade, dos custos e da capacidade de expansão do fabrico aditivo.
Os resultados mostram que 70% dos inquiridos consideram que os seus atuais métodos de pós-processamento já representam um problema ou poderão vir a representá-lo num futuro próximo. Destes, 52% afirmam que os procedimentos atuais já constituem um obstáculo à concretização dos seus objetivos de fabrico, uma percentagem superior à registada na edição de 2022.
Uma das mudanças mais significativas identificadas pelo inquérito verifica-se nas prioridades do setor. Depois de vários anos em que o tempo necessário para concluir as peças ocupava o primeiro lugar entre as preocupações dos utilizadores, em 2026 a consistência do acabamento passa a ser o principal ponto crítico.
54% dos participantes identificam a uniformidade das peças acabadas como o seu principal problema, seguida de perto pelo tempo necessário para concluir o pós-processamento (53%). Seguem-se a utilização de mão de obra qualificada em tarefas de baixo valor acrescentado (36%), o aumento do número de peças danificadas durante o processo (35%) e as limitações de capacidade produtiva (34%). O relatório destaca também o aumento da preocupação com a gestão de resíduos (26%) e com questões relacionadas com a saúde e segurança dos operadores (23%).
O estudo constata que os ambientes de fabrico aditivo são cada vez mais heterogéneos. Mais de 70% das organizações utilizam duas ou mais tecnologias de impressão 3D, o que aumenta a complexidade do pós-processamento e dificulta a manutenção da repetibilidade e da produtividade dos processos.
A extrusão de material (FDM/FFF) continua a ser a tecnologia mais utilizada, por 73% dos inquiridos, seguida da fotopolimerização em cuba (57%) e da fusão em leito de pó (44%). O relatório salienta que estas três tecnologias mantêm a mesma ordem há cinco anos, embora a extrusão de material tenha registado o maior crescimento face a 2022.
Paralelamente, a remoção de suportes continua a ser a operação de pós-processamento mais comum, mencionada por 59% dos participantes, à frente do acabamento superficial e da limpeza de resinas, ambas com 48%. Nas tecnologias de fotopolimerização, aumenta também a preocupação com a utilização de álcool isopropílico durante as operações de limpeza, devido às suas implicações em matéria de segurança no trabalho.
O relatório identifica uma mudança relevante nas prioridades de investimento das empresas. Melhorar a qualidade da peça final continua a ser o principal motivo para a adoção de novas soluções de pós-processamento, apontado por 68% dos inquiridos. No entanto, pela primeira vez, a segunda razão mais importante passa a ser a libertação de mão de obra qualificada para atividades de maior valor acrescentado (52%), ultrapassando a redução dos tempos de ciclo (51%).
Esta mudança reflete a crescente dificuldade em manter operações manuais à medida que aumenta o volume de produção e evidencia a necessidade de automatizar as etapas posteriores à impressão.
Outra das conclusões que percorre o estudo é a consolidação do fabrico aditivo como tecnologia de produção. Embora a prototipagem continue a representar uma parte importante das aplicações, praticamente todas as tecnologias analisadas preveem um aumento da sua utilização na produção em série nos próximos três anos, especialmente a extrusão de material e a Multi Jet Fusion.
Esta evolução é acompanhada por uma maior atenção aos aspetos ambientais e de segurança. 59% dos participantes afirmam estar à procura de formas de melhorar o impacto ambiental e as condições de saúde e segurança das suas operações de pós-processamento. Entre as principais preocupações encontram-se a exposição direta dos operadores a substâncias potencialmente perigosas, a manipulação de pós finos e a gestão de resíduos, aspetos que assumem uma relevância crescente à medida que aumenta a produção.
Os dados recolhidos no ‘Post-Processing Survey Trends Report 2026’ apontam para uma conclusão comum: o futuro do fabrico aditivo não vai depender apenas da capacidade de imprimir mais rapidamente ou com maior precisão, mas também do desenvolvimento de processos de pós-processamento capazes de assegurar repetibilidade, automatização, segurança e custos controlados.
Num contexto em que mais de metade dos profissionais consultados acumula mais de seis anos de experiência em fabrico aditivo e em que os principais setores representados são a indústria automóvel, a medicina, o fabrico industrial, a maquinaria e o setor aeroespacial, o pós-processamento revela-se uma das áreas com maior potencial de melhoria para consolidar o fabrico aditivo como tecnologia de produção industrial.


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