A indústria europeia do alumínio defende a adoção de mecanismos que reduzam os custos da eletricidade, apoiem a eletrificação industrial e reforcem a competitividade internacional do setor. Num documento dirigido às instituições europeias, a European Aluminium apresenta quatro medidas que considera essenciais para o futuro Plano de Ação para a Eletrificação da União Europeia.
A European Aluminium apelou à União Europeia (UE) para que o futuro Plano de Ação para a Eletrificação assegure condições que permitam à indústria do alumínio aceder a eletricidade de baixo carbono a preços competitivos. A associação considera que esta é uma condição indispensável para cumprir os objetivos europeus de competitividade, autonomia estratégica, descarbonização e transição tecnológica.
Segundo a organização, o alumínio é uma matéria-prima estratégica para aplicações ligadas à eletrificação, incluindo redes elétricas, energias renováveis, mobilidade elétrica, bombas de calor e edifícios energeticamente eficientes. A European Aluminium estima que a procura adicional deste metal na Europa possa atingir cinco milhões de toneladas por ano até 2040, o que representa um aumento de 30% face ao consumo atual.
A associação alerta, contudo, que os elevados custos energéticos continuam a comprometer a competitividade da indústria europeia. De acordo com o documento, os preços do gás e da eletricidade para a indústria na Europa são atualmente entre duas e cinco vezes superiores aos registados nos Estados Unidos da América e na China. A situação terá sido agravada pelo conflito no Médio Oriente, que provocou uma subida dos preços energéticos e aumentou a pressão sobre os setores industriais eletrointensivos.
No documento, a European Aluminium apresenta quatro medidas consideradas fundamentais para o sucesso da estratégia europeia de eletrificação.
A primeira passa pela criação de instrumentos de redução de risco que permitam às indústrias eletrointensivas celebrar contratos de compra de energia renovável com maior previsibilidade de custos. A associação defende mecanismos de apoio que reduzam os encargos associados à adaptação da produção renovável intermitente às necessidades contínuas da indústria, bem como esquemas de garantia para diferentes fontes de energia de baixo carbono.
A segunda medida propõe uma revisão dos encargos associados às redes elétricas. A organização defende limites para tarifas de rede, taxas e contribuições aplicadas às indústrias mais expostas à concorrência internacional, argumentando que os custos associados à expansão e modernização das infraestruturas elétricas não devem recair de forma desproporcionada sobre os consumidores industriais.
A terceira prioridade apresentada pela European Aluminium centra-se no reforço dos apoios ao investimento e aos custos operacionais dos processos de eletrificação industrial. A associação considera que a substituição de processos baseados em combustíveis fósseis exige investimentos significativos e horizontes de retorno de longo prazo, defendendo, por isso, mecanismos de apoio financeiro mais duradouros.
Por último, a organização sustenta que os programas de resposta da procura devem manter um caráter voluntário e remunerado. Segundo a associação, muitos processos da cadeia de valor do alumínio funcionam de forma contínua e possuem limitações técnicas que restringem a sua capacidade de interromper ou ajustar consumos sem impactos operacionais relevantes.
A European Aluminium considera que a adoção destas medidas permitirá alinhar os objetivos de sustentabilidade da União Europeia com a necessidade de garantir segurança energética, preços competitivos e condições adequadas para a descarbonização da indústria.


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