A produção europeia de máquinas-ferramenta caiu 6,6% em 2025 e a quota da Europa no mercado mundial recuou para 30,8%, segundo a Associação Europeia das Indústrias de Máquinas-Ferramenta (Cecimo). Apesar das previsões apontarem para uma ligeira melhoria em 2026, a associação alerta que tensões geopolíticas, riscos comerciais e investimento insuficiente continuam a ameaçar a competitividade do setor.
A indústria europeia de máquinas-ferramenta atravessou mais um ano difícil em 2025, marcado pela fraca procura, pela intensificação da concorrência internacional e pela persistência de incertezas económicas e geopolíticas. A avaliação foi apresentada pela Associação Europeia das Indústrias de Máquinas-Ferramenta (Cecimo) durante a reunião do Comité Económico realizada no âmbito da Assembleia-Geral da organização, em Basileia, na Suíça.
De acordo com as estimativas da Cecimo, a produção europeia de máquinas-ferramenta caiu cerca de 6,6% em 2025, para 23,5 mil milhões de euros, face ao ano anterior, demonstrando que o abrandamento do setor ainda não foi ultrapassado.
A quebra da atividade refletiu-se também no posicionamento europeu à escala global. Em 2025, a quota da Europa na produção mundial de máquinas-ferramenta desceu para cerca de 30,8%, menos dois pontos percentuais do que em 2024. Quando comparado com 2023, o recuo é ainda mais significativo: a participação europeia passou de 33,4% para 30,8%, traduzindo uma perda de quase três pontos percentuais em apenas dois anos e evidenciando um enfraquecimento gradual da posição industrial do continente.
O mercado europeu registou igualmente sinais de menor dinamismo. O consumo diminuiu 3,7% face a 2024, refletindo uma procura mais fraca em vários países europeus. Os fluxos comerciais também recuaram, com as exportações dos fabricantes europeus de máquinas-ferramenta a caírem 8,8% e as importações a diminuírem 4,2%.
Fora da Europa, os principais destinos das exportações europeias continuaram a ser os Estados Unidos, a China e a Índia. Já no que respeita às importações europeias, o Japão, a China e a Coreia do Sul mantiveram-se como os fornecedores mais relevantes.
Segundo a associação, estes resultados confirmam que o setor operou num contexto económico adverso, marcado pelo abrandamento do investimento, pela incerteza persistente, pelas tensões geopolíticas e pela desaceleração tanto dos mercados europeus como globais. Em conjunto, estes fatores reduziram a procura por máquinas-ferramenta e agravaram as condições de negócio das empresas representadas pela Cecimo.
A evolução das encomendas nos oito principais países analisados pela organização (Cecimo8) apresenta um cenário misto. As encomendas domésticas diminuíram cerca de 1,7% em 2025, face a 2024, assinalando o terceiro ano consecutivo de contração. Em contrapartida, as encomendas provenientes do exterior cresceram 1,2%, interrompendo dois anos consecutivos de queda.
Para 2026, a Cecimo antecipa uma melhoria moderada após dois anos consecutivos de redução da produção e do consumo. As previsões apontam para um aumento dos níveis de consumo e produção nos países europeus, sugerindo uma possível estabilização do mercado. As estimativas para as encomendas também indicam uma recuperação dos níveis totais nos países do grupo Cecimo8.
Ainda assim, a associação sublinha que esta perspetiva permanece frágil e vulnerável a choques externos, devendo ser encarada como uma fase de transição e não como uma recuperação plena.
Entre os principais riscos identificados para o setor estão a continuação das tensões e conflitos geopolíticos, os riscos associados ao comércio internacional, eventuais medidas tarifárias, a volatilidade dos mercados energéticos e a fraqueza do investimento nas principais economias europeias. Dada a forte dependência dos fabricantes europeus dos ciclos de investimento industrial e do comércio internacional, qualquer agravamento destas condições poderá limitar a recuperação prevista.
Por outro lado, a Cecimo identifica potenciais fatores de apoio ao mercado, nomeadamente os efeitos positivos de investimentos públicos e de setores estratégicos como a defesa, a aeronáutica, a eletrificação, as tecnologias associadas à inteligência artificial e a engenharia avançada. Estas áreas poderão contribuir para sustentar a procura por soluções de produção avançadas e de elevada precisão, embora o seu impacto dependa da rápida implementação dos projetos e da ausência de novos adiamentos.
A associação considera que um ambiente comercial estável, o reforço do investimento industrial e a adoção de políticas eficazes podem abrir caminho a uma recuperação gradual do setor europeu das máquinas-ferramenta. Sem estas condições, alerta, a Europa corre o risco de continuar a perder relevância tecnológica e industrial perante concorrentes globais que continuam a reforçar as suas capacidades produtivas.
“O contexto atual confirma que a Europa não pode considerar garantida a sua liderança industrial. Os fabricantes europeus de máquinas-ferramenta continuam a operar num ambiente difícil, marcado por uma procura mais fraca, incerteza global persistente e crescente pressão competitiva. Embora possam surgir oportunidades em setores estratégicos, a Europa necessita de um quadro político estável, de mais investimento industrial e de uma implementação mais rápida de medidas de apoio à produção avançada”, afirmou François Duval, presidente da Cecimo.


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