Informação profissional para a indústria metalomecânica portuguesa
O Instituto de Tecnologia Química (CSIC-UPV) demonstra a viabilidade de uma técnica que promove a descarbonização e a reciclagem de resíduos de uma indústria altamente poluente

Nova tecnologia produz ferro a partir de hidrogénio e resíduos da indústria siderúrgica

22/05/2026

Uma nova tecnologia desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia Química (ITQ), centro de investigação conjunto do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) e da Universidade Politécnica de Valência (UPV), permite produzir ferro a partir de resíduos gerados no processo de laminação da indústria siderúrgica. Esta técnica inovadora alcança um rendimento de 92% através da utilização de hidrogénio verde – produzido com recurso a energias renováveis –, contribuindo para a redução das emissões de carbono numa das indústrias mais poluentes do mundo.

O projeto contou com uma unidade piloto com capacidade para produzir 500 toneladas de ferro por ano. Foto: iStock
O projeto contou com uma unidade piloto com capacidade para produzir 500 toneladas de ferro por ano. Foto: iStock.

Uma nova tecnologia desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia Química (ITQ), centro de investigação conjunto do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) e da Universidade Politécnica de Valência (UPV), permite produzir ferro a partir de resíduos gerados no processo de laminação da indústria siderúrgica. Esta técnica inovadora alcança um rendimento de 92% através da utilização de hidrogénio verde – produzido com recurso a energias renováveis –, contribuindo para a redução das emissões de carbono numa das indústrias mais poluentes do mundo.

A investigação baseia-se na tecnologia Direct Reduction of Iron (DRI), ou redução direta do ferro, um processo através do qual o minério de ferro é convertido em ferro metálico, na sua forma pura, sem necessidade de fusão. Para isso, recorre-se a gases redutores, como o hidrogénio, em substituição dos altos-fornos tradicionais alimentados a carvão mineral. Ao operar a temperaturas mais baixas, o processo requer menos energia, apresenta maior eficiência energética e gera menos emissões de dióxido de carbono do que as tecnologias convencionais, sobretudo quando utiliza hidrogénio verde obtido a partir da eletrólise da água com eletricidade proveniente de fontes renováveis.

“O principal resultado da nossa investigação foi demonstrar o conceito da tecnologia através da qual conseguimos transformar um resíduo industrial em ferro metálico reutilizável pela indústria siderúrgica, de forma sustentável e com baixa pegada de carbono. Além disso, obtivemos um rendimento do processo de 92% num reator de leito móvel à escala piloto, desenvolvido nas instalações do ITQ”, explica José Manuel Serra, investigador do CSIC e diretor do ITQ.

Um consórcio composto pelo CENIM-CSIC e várias empresas recebeu 1,7 milhões de euros do Centro para o Desenvolvimento Tecnológico e a Inovação (CDTI) para continuar o escalonamento desta tecnologia com vista à sua aplicação industrial.

Elevado valor acrescentado através do hidrogénio verde

Esta investigação integra o projeto Hymet, cujo objetivo passa pela recuperação de resíduos ricos em ferro para a sua transformação em matérias-primas úteis. O trabalho desenvolvido pelo ITQ decorreu em três fases. Numa primeira etapa, foi realizado um estudo in situ por difração de raios X da redução dos resíduos – concretamente da carepa de laminação, uma camada de óxido de ferro que se desprende do metal durante o processo produtivo –, com o objetivo de determinar as transições cristalográficas ocorridas durante o processo DRI.

Posteriormente, realizaram-se os primeiros ensaios num reator de leito fixo – equipamento industrial no qual um sólido permanece imóvel enquanto um gás ou líquido circula através dele para promover uma reação química –, de modo a determinar as condições operatórias mais adequadas. Após essa fase, os resíduos foram tratados num reator concebido e fabricado pelo ITQ, no qual foi demonstrado o potencial de aplicação industrial da tecnologia desenvolvida.

“Este trabalho demonstrou a viabilidade da reutilização de resíduos industriais para a produção de materiais de elevado valor acrescentado através da utilização de hidrogénio verde. Além disso, evidenciou a capacidade do consórcio para analisar o processo em diferentes escalas, desde o nível atómico até à sua ampliação numa instalação de demonstração. Tudo isto demonstra a multidisciplinaridade do consórcio e a sua capacidade para desenvolver processos industriais de descarbonização nas instalações do ITQ e do Hub de Inovação Greenruptive do CSIC”, destaca Alfonso Carrillo, investigador principal do CSIC no ITQ (CSIC-UPV).

O método foi publicado na revista científica ACS Sustainable Resource Management e recebeu um financiamento de 1,7 milhões de euros do Centro para o Desenvolvimento Tecnológico e a Inovação (CDTI), organismo tutelado pelo Ministério da Ciência, Inovação e Universidades, para o desenvolvimento e escalonamento industrial da tecnologia.

Colaboração público-privada

O projeto Hymet culminou com a construção e entrada em funcionamento de uma unidade piloto nas instalações da Greenruptive, em Paterna, Valência, com capacidade para produzir 500 toneladas de ferro por ano. A tecnologia foi desenvolvida graças à colaboração entre centros de investigação do CSIC, como o ITQ e o Centro Nacional de Investigações Metalúrgicas (CENIM-CSIC), responsável pelos pré-tratamentos dos resíduos e pela otimização das propriedades dos pellets.

Participaram igualmente as empresas Celsa, fornecedora dos resíduos de carepa de laminação provenientes do setor siderúrgico, e Técnicas Reunidas, responsável pelo desenvolvimento dos reatores e pela engenharia de processo.

O projeto Hymet prossegue agora através da iniciativa SusDRX, que reúne, além do ITQ e do CENIM, as empresas Ferimet, Celsa Atlantic, Kerionics e Técnicas Reunidas Internacional. O novo projeto terá uma duração de três anos e dispõe de um financiamento de 1,7 milhões de euros do Centro para o Desenvolvimento Tecnológico e a Inovação (CDTI), organismo dependente do Ministério da Ciência, Inovação e Universidades, no âmbito do programa Consórcios Regionais (Innterconecta STEP), destinado à continuação e ampliação desta tecnologia inovadora.

Referência científica:

Cristian Torres, Alfonso J. Carrillo, Diego Plaza-Lozano, David Catalán-Martínez, Félix A. López, Héctor Hernando, Unai Puertas, Ernesto Simón, Laia Soler, Diego García, Jon Ander Erzoain, Anna Casals-Terré, Jose M. Serra, Multiscale Evaluation of the Direct Reduction of Mill-Scale Iron Industry Wastes with Green Hydrogen, ACS Sustainable Resource Management. DOI: pubs.acs.org/doi/10.1021/acssusresmgt.5c00583

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