Crescimento do setor obriga fabricantes e transformadores a reforçar competências técnicas e controlo de processos térmicos
O aumento do investimento global na área da defesa está a pressionar a cadeia de valor do aço a responder com materiais cada vez mais especializados e com requisitos de processamento mais exigentes, sobretudo no que respeita a aços de alta resistência destinados a aplicações balísticas e estruturais.
De acordo com o Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), a despesa mundial em defesa atingiu cerca de 2,7 mil milhões de dólares em 2024, representando um aumento de 10% face ao ano anterior, com a Europa a assumir um papel central nesta evolução. Este crescimento tem impulsionado a certificação e a entrada no mercado de novas ligas de aço desenvolvidas para veículos blindados e sistemas de proteção.
No caso dos aços balísticos Difender, uma gama de aços de alta resistência desenvolvida pela Dillinger e Saarstahl para aplicações de proteção, apesar de apresentarem boa aptidão para processamento, o controlo térmico durante as operações de corte e soldadura é determinante para garantir a preservação das suas propriedades mecânicas.
Segundo Marc Rixecker, da Dillinger e Saarstahl, estes materiais podem ser processados através de métodos convencionais, desde que exista conhecimento técnico adequado e um controlo rigoroso dos parâmetros de processamento. No corte, por exemplo, privilegiam-se tecnologias de baixa influência térmica, como o jato de água, especialmente em graus mais duros ou de maior teor de liga.
Também na soldadura, a gestão da zona afetada pelo calor assume um papel crítico, exigindo operadores experientes e formação específica. Em muitos casos, o cumprimento de normas como a DIN 2303 é determinante em aplicações militares, garantindo elevados níveis de qualificação no processamento destes materiais.
As tecnologias utilizadas variam consoante a aplicação, com recurso a plasma, laser ou jato de água no corte, enquanto o processo MAG continua a ser dominante na soldadura de aços de elevada liga. A procura por estes materiais estende-se igualmente a aplicações civis de elevada segurança, como veículos blindados de transporte.
Urban Steel Expo 2027 ganha destaque como nova plataforma global do setor
O crescimento destas tecnologias e a evolução dos processos de corte e soldadura têm também reflexo num novo ponto de encontro internacional da indústria: a Urban Steel Expo 2027.
Organizada pela Messe Düsseldorf, esta nova feira foi concebida como uma plataforma dedicada ao setor do corte e união de materiais, combinando tecnologia, negócio e networking num único formato. O evento pretende afirmar-se como um hub internacional de inovação industrial, reunindo fabricantes, especialistas e líderes tecnológicos de toda a cadeia de valor.
A estreia está marcada de 20 a 23 de abril de 2027, em Düsseldorf, com um conceito que aposta na integração entre tecnologia e comunidade industrial e que passará a realizar-se com periodicidade quadrienal.
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