Setor reforça peso na economia nacional
De acordo com a Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP), a indústria metalúrgica e metalomecânica portuguesa alcançou, em 2025, o melhor resultado de sempre nas exportações, ultrapassando os 24 mil milhões de euros. Apesar do desempenho histórico, o setor alerta para os impactos das políticas comerciais europeias e exige medidas imediatas que salvaguardem a competitividade das empresas e o futuro da indústria transformadora nacional.
“É um resultado notável, tendo em conta que o mês de dezembro ficou marcado por atrasos muito significativos no desalfandegamento de matérias-primas essenciais para as nossas indústrias”, sublinha Rafael Campos Pereira, vice-presidente executivo da AIMMAP.
O ano de 2025 registou quatro meses diretamente inseridos no top 10 dos melhores resultados mensais de sempre, consolidando o setor como uma força exportadora decisiva para a economia nacional.
As exportações do setor representam 33% de toda a indústria transformadora portuguesa, tendo a taxa de crescimento anual acelerado de 2% para 3%.
No entanto, o setor enfrenta uma pressão crescente sobre a competitividade europeia e nacional.
“A economia global continua a enfrentar choques macroeconómicos com consequências imprevisíveis. Estamos a assistir a uma mudança estrutural: de um paradigma de globalização para um de protecionismo”, alerta Rafael Campos Pereira.
O dirigente reforça que a Europa tem falhado no equilíbrio das suas políticas económicas, deixando desprotegida uma indústria que compete com países que aplicam, muitas vezes, medidas protecionistas amplas. No caso da metalurgia e metalomecânica, considera que medidas europeias desajustadas colocam hoje o setor num ambiente concorrencial altamente desequilibrado.
“Estes números não se repetirão tão cedo se a Comissão Europeia não reverter o caminho das medidas que tem vindo a adotar, especialmente no que respeita à proteção da cadeia de valor downstream, onde se incluem milhares de empresas metalúrgicas e metalomecânicas e mais de 13 milhões de trabalhadores a nível europeu.”
“O novo enquadramento europeu para as tarifas sobre a importação de aço, bem como outros regulamentos, como o Mecanismo de Ajuste na Fronteira para o Carbono (CBAM), estão a penalizar fortemente a competitividade e a situação concorrencial da indústria transformadora e, no curto e médio prazo, poderão conduzir a Europa a um processo de desindustrialização”, acrescenta.
No que respeita às cláusulas de salvaguarda, a AIMMAP reuniu recentemente com a DG Trade, que transmitiu uma mensagem inequívoca: o Governo português deve defender e apoiar a posição da sua indústria transformadora para proteger o setor mais exportador do país – o verdadeiro motor do crescimento económico nacional.
Esta posição evidencia uma urgência política: Portugal não pode continuar a ser um mero espectador enquanto medidas europeias penalizam severamente a indústria transformadora, nomeadamente através das tarifas sobre a importação de aço, que criam assimetrias graves face a outros competidores globais.
Face ao contributo contínuo, robusto e decisivo do setor para o desenvolvimento e a estabilidade económica e social do país, a AIMMAP considera que o Governo português tem a obrigação de agir e implementar um conjunto de medidas capazes de:
“A indústria metalúrgica e metalomecânica tem demonstrado, repetidamente, que é uma âncora da economia nacional. Agora, é urgente que o Governo corresponda com políticas que defendam esta indústria estratégica e assegurem a sua continuidade e crescimento.”
“Vemos com muito bons olhos os acordos assinados entre a União Europeia e o Mercosul, bem como entre a União Europeia e a Índia, e Portugal deve saber aproveitar as oportunidades que vão seguramente surgir. Não tenho dúvidas de que destes acordos resultará um crescimento do comércio com ambos os blocos”, afirma, acrescentando: “Se a Comissão Europeia e o Governo estiverem atentos e alinhados com o que defendemos, estes acordos comerciais poderão ser uma oportunidade de ouro para recentrar a economia europeia no mapa geoestratégico mundial.”
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