Renishaw: soluçoes Smart Factory, em tempos difíciles, aliados robóticos na produção

“Trabalhamos no desenvolvimento de novos materiais impressos em 3D, que nos ofereçam as características específicas que se adequam ao veículo”.

Entrevista com Norbert Martín, responsável pelos modelos DKM e pela fabricação aditiva na Seat

Esther Güell06/03/2019

A Seat é um dos fabricantes de automóveis a incorporar a fabricação aditiva na produção, não só de protótipos, mas também de componentes e ferramentas. Uma tecnologia com a qual contam há vários anos: já em 2006, a empresa adquiriu a primeira impressora de sinterização a laser EOS para o Centro de Protótipos de Desenvolvimento. Hoje, tem mais equipamentos e utiliza a fabricação aditiva em diferentes departamentos. No entanto, o objetivo é ir mais longe e produzir peças funcionais, embora alguns desafios ainda precisem de ser superados, como refere Norbert Martín, responsável pelos modelos DKM e pela fabricação aditiva do fabricante de automóveis espanhol.

Qual é a experiência atual da Seat com a impressão 3D?

Na Seat, começámos a utilizar esta tecnologia há 20 anos com diferentes fornecedores e, em 2006, apostamos nesta tecnologia e adquirimos, para o nosso Centro de Desenvolvimento de Protótipos, a primeira impressora de sinterização a laser da empresa EOS. Gradualmente, temos vindo a expandir o parque de máquinas com impressoras industriais e equipamentos de bancada, fazendo chegar esta tecnologia a diferentes departamentos da Seat e aproximando-a dos nossos profissionais. Isto é muito positivo porque permite que se estabeleça uma colaboração e partilha de experiências relacionadas com esta tecnologia entre diferentes áreas da fábrica.

Atualmente, utilizamos a impressão 3D desde a etapa inicial de um projeto, na fase de conceção, imprimindo peças protótipo que nos mostram várias opções de design, até à produção em massa, onde utilizamos a tecnologia no fabrico interno de ferramentas para melhorar e otimizar os processos de produção, a fim de aumentar a qualidade e a produtividade.

foto
“Num momento de grandes mudanças e avanços no setor automóvel, é muito positivo que estejamos simultaneamente a assistir à expansão e crescimento da fabricação aditiva”, diz Norbert Martin.

Que ferramentas desenvolveram até à data?

Até hoje, desenvolvemos centenas de ferramentas. Isto porque um dos pontos fortes desta tecnologia é que nenhuma ideia, por mais pequena que seja, é descartada. Assim, projetamos estruturas complexas, com diferentes componentes e mecanismos, em que a base do projeto da ferramenta é impressa em 3D, mas complementada com elementos tradicionais.

Pouco a pouco, as ferramentas mais simples que eram anteriormente fabricadas com tecnologias tradicionais estão agora a ser produzidas por impressão 3D, já que este processo representa uma poupança de tempo muito significativa. De salientar ainda que esta tecnologia permite fabricar a mesma ferramenta que já estava disponível e que foi concebida com a tecnologia tradicional em mente, como a maquinação, e num material metálico, como o alumínio, e reconvertê-la, imprimindo-a num material plástico. Isto dá-nos as características necessárias, mas com uma poupança de peso que afeta diretamente a ergonomia da pessoa que utiliza a ferramenta.

Com esta experiência, quais são as necessidades que ainda não estão resolvidas?

Dependendo da tecnologia e do material utilizados na impressão, existem ainda tarefas de processamento que implicam limitações de diferentes tipos, como o aumento do tempo ou do espaço, uma vez que é necessário ter não só a impressora, mas também a infraestrutura e as máquinas auxiliares adicionais para a utilização deste tipo de impressora. Gostaria também de salientar que se fala de diversidade de materiais, mas normalmente, para uma utilização mais ágil, as impressoras estão dedicadas a apenas um tipo de material. Na maioria dos casos, não é possível imprimir materiais diferentes na mesma peça e, para se mudar de material, é necessário algum tempo de preparação do equipamento. Finalmente, o tamanho das peças. A impressão 3D permite imprimir peças e elementos até um metro, mas a partir desse comprimento há limitações nas diferentes tecnologias de impressão e nos materiais.

foto
"Não ter limitações de design 3D ou ser capaz de fabricar a mesma peça em materiais diferentes é uma vantagem competitiva importante”.

Que mudanças introduziu a fabricação aditiva no processo interno de planeamento da produção?

Mais do que mudanças na produção, a fabricação aditiva transformou-se numa tecnologia útil no planeamento, projeto e fabricação de um novo modelo. Num momento de grandes mudanças e avanços no setor automóvel, é muito positivo que, simultaneamente, estejamos a assistir à expansão e crescimento da fabricação aditiva.

Para quando a incorporação de peças funcionais, desenvolvidas por tecnologia aditiva, num veículo? Quais são, do ponto de vista técnico, as principais limitações à sua implementação?

Estamos a trabalhar para transformar a produção em série numa realidade. Para além de ter de ser algo necessariamente rentável, queremos sobretudo ter a certeza de que, tecnicamente, uma peça impressa em 3D nos assegura a qualidade e fiabilidade que a Seat exige de todos os componentes utilizados no fabrico de automóveis. Para tal, é essencial que, desde muito cedo, na fase de protótipo, consigamos peças impressas em 3D que cumpram todos os requisitos necessários.

foto
Em 2006, a Seat adquiriu a primeira impressora de sinterização a laser da EOS para o seu Centro de Desenvolvimento de Protótipos. Desde então, a empresa expandiu o parque de máquinas com impressoras industriais e equipamentos de bancada, fazendo chegar esta tecnologia a diferentes departamentos.

Um dos requisitos das peças impressas em 3D é o pós-processamento. No caso das vossas peças, que tratamentos são necessários?

Temos de tornar a fresar uma peça impressa para obter um maior nível de precisão dimensional e melhorar a superfície, fazer acabamentos e polimento manual ou semiautomático para obter uma superfície espelhada, e efetuar tratamentos de superfície para preparar a peça para a pintura. Qualquer atividade de pós-processamento envolve um custo adicional cuja introdução na cadeia de valor deve ser equacionada, de forma a reduzir o impacto económico total.

E do ponto de vista da rentabilidade e da competitividade?

Esta tecnologia compete com outros processos de fabricação maduros que, embora tenham maiores limitações, têm maior rentabilidade em termos de preço por peça e acabamento direto da peça, o que também se repercute no preço. Para se ser bem-sucedido, é muito importante acrescentar valor e, neste aspeto, não ter limitações no desenho 3D ou poder fabricar a mesma peça em diferentes materiais é uma vantagem competitiva importante.

Finalmente, em termos gerais, que possibilidades e impedimentos vê na aplicação da fabricação aditiva ao setor automóvel, nos próximos anos?

Existem muitas possibilidades, na medida em que os fabricantes de impressoras e as várias empresas do setor continuam a trabalhar para ultrapassar as atuais limitações. É por isso que o setor está a evoluir tão rapidamente e que a utilização da fabricação aditiva no setor automóvel está a crescer de forma exponencial. Para que este processo continue e tenha êxito, é muito importante a partilha de experiências. É necessário que os utilizadores desta tecnologia e os vários fabricantes de equipamentos de impressão 3D trabalhem em conjunto. Pela nossa parte, estamos a trabalhar intensamente no desenvolvimento de novos materiais que, quando impressos em 3D, nos ofereçam características específicas que se adaptem ao veículo e que, juntamente com a liberdade de design, possam representar uma revolução.

DMG Mori your onlin service managerInterMetal Acompanhe no Facebook20 Years Jaba traduçao técnica especializada 4.0InterMetalInterMetal

Subscrever a nossa Newsletter

Password

Marcar todos

Autorizo o envio de newsletters e informações de interempresas.net

Autorizo o envio de comunicações de terceiros via interempresas.net

Li e aceito as condições do Aviso legal e da Política de Proteção de Dados

www.intermetal.pt

InterMETAL - informação para a indústria metalomecânica portuguesa

Estatuto Editorial