BM30 - InterMETAL

53 DOSSIER | ENERGIA E INFRAESTRUTURAS A CORROSÃO TORNOU-SE UM DOS MAIORES DESAFIOS DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA Da produção de hidrogénio verde às centrais solares, passando pelos parques eólicos offshore e pela manufatura aditiva, a transição energética está a obrigar a indústria a repensar a forma como protege os materiais. O desafio parece já não passar apenas por produzir energia limpa, mas por garantir que as infraestruturas resistem durante décadas em ambientes cada vez mais exigentes, conclui o Encontro Técnico 'Gestão da Corrosão na Transição Energética e Digital', promovido pelo CATIM, LNEG, Sociedade Portuguesa de Materiais e AIMMAP, que reuniu no Porto especialistas nacionais e internacionais para discutir um problema tantas vezes invisível quanto determinante para o sucesso da descarbonização. Susana Marvão Há muito que a corrosão deixou de ser encarada apenas como uma questão de manutenção. E hoje, quando a Europa aposta no hidrogénio, na eletrificação, nas energias renováveis e em novas soluções de armazenamento de energia, a degradação dos materiais passou a representar um dos fatores críticos para a segurança, a fiabilidade e a viabilidade económica dos investimentos. Esta, digamos, mudança de paradigma acabou por marcar a sessão de abertura do Encontro Técnico 'Gestão da Corrosão na Transição Energética e Digital', promovido pelo CATIM, LNEG, Sociedade Portuguesa de Materiais e AIMMAP. Ricardo Simões, diretor da Unidade de Inovação da CCDR Norte, defendeu que a corrosão deve deixar de ser tratada como um problema pontual para passar a integrar toda a gestão do ciclo de vida das infraestruturas. “A corrosão implica reflexão, planeamento e, principalmente, acompanhamento contínuo. Não é algo que se resolva apenas ao nível do projeto, nem apenas no fim de vida. Resolve-se mantendo este fator presente ao longo de toda a evolução de um projeto”, sublinhou. Na perspetiva do responsável, esta abordagem ganha especial relevância num momento em que a região Norte procura acelerar a descarbonização através de um cabaz energético cada vez mais diversificado. O hidrogénio verde, explicou, deverá assumir um papel complementar às restantes fontes renováveis, contribuindo para equilibrar a produção de energia e responder aos períodos em que existe excesso de geração elétrica.

RkJQdWJsaXNoZXIy Njg1MjYx