BM30 - InterMETAL

ENTREVISTA 14 Que evolução encontrou na indústria portuguesa ao longo destes 40 anos? As empresas procuram hoje um parceiro tecnológico diferente daquele que procuravam há duas décadas? A transformação foi enorme. Há vinte ou trinta anos era necessário explicar às empresas porque era importante inovar. Hoje essa discussão praticamente desapareceu. Todas percebem que, se não tiverem fatores diferenciadores não conseguem competir. Tal como não conseguem competir com base na mão de obra barata. É necessário desenvolver produtos diferenciadores, incorporar tecnologia e acrescentar valor. Naturalmente, o INEGI acompanhou essa evolução. Ao longo destas quatro décadas fomos assistindo ao crescimento da maturidade tecnológica das empresas portuguesas e isso também nos obrigou a evoluir. Os nossos clientes são hoje muito mais exigentes. Há trinta anos, uma simulação numérica ou um protótipo obtido por fabrico aditivo eram suficientes para impressionar uma empresa. Atualmente, muitas delas já têm essas tecnologias internamente. Isso significa que temos de estar constantemente um ou dois passos à frente. Essa evolução levou-nos a reforçar a investigação científica, a internacionalizar a atividade e a participar em projetos europeus cada vez mais exigentes. Se queremos ajudar a indústria portuguesa a competir internacionalmente, também nós temos de competir ao mais alto nível. Ainda assim, considero que existe um desafio importante pela frente: subir nas cadeias de valor. Portugal continua, em muitos casos, demasiado concentrado no fornecimento de componentes e de "pecinhas", no valor da hora de trabalho, quando deveria estar a desenvolver sistemas completos e produtos tecnologicamente mais sofisticados, de maior valor acrescentado. Só assim se consegue competir em mercados desenvolvidos e maduros. Até porque a concorrência internacional aumentou bastante… Sem dúvida. As empresas portuguesas competem hoje num mercado global e os centros tecnológicos também começam a sentir essa pressão. Cada país tem as suas infraestruturas, laboratórios e centros de investigação, pelo que competir internacionalmente exige especialização. A nossa estratégia passa precisamente por identificar áreas onde possamos atingir dimensão crítica e afirmar- -nos internacionalmente. Não podemos querer fazer tudo. Temos de escolher os domínios em que conseguimos gerar verdadeiro valor acrescentado e ser reconhecidos entre os melhores parceiros tecnológicos europeus. Num contexto europeu em que tanto se fala de reindustrialização, autonomia tecnológica e soberania industrial, que papel pode Portugal desempenhar e como pode o INEGI contribuir para esse objetivo? A Europa precisa de inovar mais depressa e de transformar conhecimento em produtos, serviços e negócio com muito maior rapidez. Quando comparamos a Europa com os Estados Unidos ou com a China, percebemos que o problema já não está na produção científica. A Europa produz ciência de elevada qualidade e tem excelentes universidades, centros tecnológicos e laboratórios. O verdadeiro desafio está na capacidade de transformar esse conhecimento em empresas competitivas, em produtos industriais e em crescimento económico. Há dois fatores fundamentais: velocidade e escala. Hoje, para desenvolver uma tecnologia ou produto verdadeiramente competitivos, é necessário investir durante anos e atingir rapidamente uma dimensão suficiente para competir globalmente. É precisamente aqui que a Europa continua a revelar maiores dificuldades. Portugal deve posicionar-se dentro dessa estratégia europeia. Não temos escala para desenvolver uma política industrial isolada. Temos de identificar as áreas onde a Europa pode continuar a liderar e concentrar aí os nossos recursos e competências. Projeto NoTank - O INEGI criou um tanque de armazenamento de combustível modular, mais leve e mais eficiente face aos existentes para ser integrado em satélites Cubsat da ESA.

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