BM30 - InterMETAL

ENTREVISTA 13 Também apoiamos várias competições universitárias ligadas à Fórmula Student, ao espaço, à aeronáutica e a outras áreas tecnológicas, quer na Universidade do Porto, quer no Instituto Superior Técnico, na Universidade do Minho e noutras instituições. Consideramos este apoio uma forma concreta de investir nas futuras gerações de engenheiros e de aproximar os estudantes da realidade da inovação industrial. É frequente os vossos quadros saírem do INEGI para integrarem empresas industriais? Acontece, mas faz parte da nossa missão. Naturalmente gostaríamos de reter os nossos melhores profissionais, mas uma das formas mais importantes de medir o impacto de um centro tecnológico é precisamente a capacidade de transferir conhecimento para a indústria — e isso faz-se também através das pessoas. Quando um engenheiro que passou pelo INEGI leva esse conhecimento para uma empresa industrial, está igualmente a cumprir a missão da instituição. É um sentimento ambivalente: por um lado, lamentamos perder bons profissionais; por outro, sabemos que estamos a contribuir para reforçar as competências tecnológicas do tecido empresarial. Além disso, temos hoje antigos colaboradores a desempenhar funções de direção noutros centros de tecnologia e inovação, o que demonstra que o INEGI é reconhecido como uma excelente escola de formação de talento. Com a crescente utilização da inteligência artificial, da robótica e da automação, qual será o papel das pessoas na indústria do futuro? Não acreditamos num cenário de substituição massiva das pessoas pela tecnologia. Pelo contrário. A tecnologia deverá libertar os trabalhadores das tarefas mais repetitivas, fisicamente exigentes ou de menor valor acrescentado, permitindo-lhes assumir funções de maior responsabilidade, supervisão e decisão. Aliás, aquilo que ouvimos diariamente das empresas é precisamente o contrário: existe uma enorme dificuldade em encontrar mão de obra para muitas funções. Em vários projetos percebemos que a motivação para investir em inovação resulta precisamente da perda de conhecimento técnico nas organizações ou da inexistência de profissionais disponíveis para determinadas tarefas. Por isso, vejo a evolução de forma bastante natural. Haverá uma colaboração cada vez mais estreita entre pessoas e máquinas, enquanto surgem novas profissões que hoje ainda nem existem. O elemento humano continuará a ser determinante na tomada de decisão, na criatividade, na liderança, na relação com o cliente e na relação entre equipas. A substituição vai ocorrer sobretudo nas tarefas mais repetitivas, mais pesadas e menos qualificadas. Trata-se de uma evolução que acompanha o desenvolvimento económico das sociedades e que já é visível em muitos setores industriais. O INEGI nasceu muito ligado à engenharia mecânica e à Universidade do Porto. Hoje atua em áreas tão diversas como a aeronáutica, o espaço, a energia, a mobilidade ou as tecnologias para o mar. Como se consegue crescer para novos domínios sem perder a identidade que esteve na origem do Instituto? Na realidade, não houve uma rutura. A nossa base continua a ser a engenharia mecânica e a engenharia industrial. O que mudou foi a diversidade das aplicações. Quer estejamos a desenvolver uma solução para a aeronáutica, para o espaço, para a mobilidade ou para o setor do mar, continuamos a aplicar os mesmos princípios de engenharia. O que varia são os requisitos técnicos, os processos de desenvolvimento e o nível de exigência de cada indústria. À medida que fomos entrando em setores tecnologicamente mais avançados, tivemos naturalmente de evoluir. Hoje trabalhamos em ambientes que exigem salas limpas, processos certificados, elevados níveis de segurança da informação e metodologias muito específicas. O próprio INEGI teve de adaptar a sua organização para responder a essas exigências. Ao mesmo tempo, fomos alargando as competências para além dos materiais metálicos. Hoje trabalhamos muito com materiais compósitos, polímeros e outros materiais avançados, impulsionando a evolução das indústrias onde estes já são predominantes. Mas esta capacidade de adaptação faz parte da nossa identidade desde a origem. O INEGI é um spin-off do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, uma escola que sempre encarou a engenharia mecânica numa perspetiva muito abrangente. Foi dela que nasceram áreas como a engenharia industrial, a engenharia de materiais ou a biomecânica. Essa visão multidisciplinar continua profundamente enraizada na cultura do INEGI. No fundo, mantivemos sempre o mesmo propósito: ajudar a indústria a inovar. O que evolui são as tecnologias, os mercados e as competências necessárias para responder aos novos desafios.

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