ENTREVISTA 12 Em abril, durante as comemorações dos 40 anos do INEGI, afirmou que “a longevidade não resulta da repetição, mas da capacidade de mudança”. É esse o segredo do INEGI? Que momentos marcaram verdadeiramente o percurso da instituição? Quando fiz essa afirmação, estava menos a pensar em momentos específicos da nossa história e mais na forma como o INEGI encara a sua missão. Uma organização que pretende manter-se relevante durante várias décadas não pode ficar parada. Tem de evoluir continuamente porque a indústria muda, os clientes mudam e as tecnologias evoluem a um ritmo extraordinário. Aquilo que fazíamos há 30 anos pertence hoje praticamente à pré- -história tecnológica. Naturalmente, houve momentos decisivos no nosso crescimento. Os primeiros grandes projetos europeus, na década de 2000, permitiram-nos ganhar dimensão internacional. A mudança para as atuais instalações, em 2008, foi outro marco importante. Mais recentemente, a ampliação das nossas infraestruturas, em plena pandemia de Covid-19, representou uma demonstração de confiança no futuro, numa altura em que estávamos a investir vários milhões de euros apesar da enorme incerteza. Mas a verdadeira transformação aconteceu sobretudo dentro da organização. Fomos adaptando os nossos processos, os sistemas de gestão e a própria estrutura de governação. À medida que crescemos — de cerca de 50 colaboradores há 17-18 anos para mais de 350 hoje — percebemos que era necessário profissionalizar a gestão. Um modelo assente apenas num diretor-geral deixou de responder à complexidade da instituição e evoluímos para um Conselho de Administração Executivo dedicado. Ao mesmo tempo, investimos muito na qualificação das nossas equipas, na gestão de projetos, na relação com os clientes e na digitalização dos processos internos. Tivemos também a vantagem de contar, desde muito cedo, com uma forte participação das empresas nos órgãos de gestão do INEGI, o que nos permitiu compreender permanentemente quais eram as necessidades da indústria. No fundo, a nossa capacidade de adaptação resulta desta procura constante pelas melhores práticas internacionais. Procuramos aprender continuamente e melhorar a forma como cumprimos a nossa missão. É essa cultura de evolução permanente que explica, em grande medida, o sucesso destes 40 anos do INEGI. Disse também que a vossa história é feita de pessoas. Num mercado cada vez mais competitivo, como se conquista e retém investigadores e engenheiros capazes de transformar conhecimento científico em valor económico? É um grande desafio. Estamos inseridos num mercado europeu cada vez mais competitivo, onde profissionais altamente qualificados encontram facilmente oportunidades, quer na indústria, quer em centros tecnológicos ou empresas de outros países. Precisamente por isso, nos últimos anos reforçámos significativamente a nossa capacidade de gestão de pessoas. Investimos em equipas especializadas em recursos humanos, acelerámos os processos de progressão na carreira, melhorámos a política salarial e procurámos identificar mais cedo o potencial de cada colaborador, criando percursos profissionais mais ajustados. Ao mesmo tempo, introduzimos maior flexibilidade na organização do trabalho, porque sabemos que esse é hoje um fator valorizado pelos profissionais mais qualificados. Outra dimensão importante tem sido o employer branding. O INEGI é hoje uma organização muito mais conhecida do que era há alguns anos e isso faz diferença. Os jovens procuram projetos desafiantes, onde possam trabalhar em tecnologias de ponta e participar em iniciativas que tenham impacto real na transformação da indústria e do País. Essa possibilidade de enfrentar novos desafios quase todos os dias é um fator muito diferenciador. O resultado tem sido muito positivo. A nossa taxa de rotação continua abaixo da média do setor tecnológico e dos restantes centros de tecnologia e inovação. Sabíamos que iríamos crescer muito nos últimos cinco anos e preparámo-nos para isso, reforçando antecipadamente a equipa e recrutando profissionais com experiência industrial. Além disso, os resultados do inquérito ao clima organizacional têm sido muito encorajadores. Nesse contexto, a comunicação assume hoje um papel mais importante? Sem dúvida. A comunicação é hoje uma ferramenta estratégica para atrair talento. Naturalmente comunicamos com a sociedade em geral, mas dedicamos uma atenção muito especial aos estudantes e aos jovens recém-formados. Participamos regularmente em feiras de emprego, estamos presentes nas principais universidades e procuramos dar a conhecer o tipo de projetos que desenvolvemos. “Se continuarmos a produzir apenas 'a pecinha, o parafuso e a chapinha', dificilmente conseguiremos diferenciar-nos”
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