50 DOSSIER | ENERGIA E INFRAESTRUTURAS A APREN destaca paralelamente o impacto económico já gerado pelo setor. De acordo com o ‘Estudo de Impacto das Energias Renováveis em Portugal’, desenvolvido pela EY-Parthenon para a associação, estas contribuíram com 5,34 mil milhões de euros para o PIB português em 2024 – mais de 1% da economia nacional –, podendo ultrapassar os 32 mil milhões de euros anuais até 2040, ou seja, um potencial de crescimento de 370%. Este crescimento tem reflexos diretos na atividade industrial. Quanto maior for a incorporação de fornecedores nacionais nas cadeias de valor das renováveis, maior será o impacto em emprego - com uma previsão de crescimento superior a 400% até 2040 –, inovação tecnológica, exportações e desenvolvimento industrial. A associação salienta que Portugal reúne atualmente condições para afirmar a sua indústria metalomecânica como um parceiro estratégico da transformação energética europeia, desde que exista estabilidade regulatória, continuidade dos investimentos e reforço da capacidade e estabilidade das redes. HIDROGÉNIO: MERCADO POR CONQUISTAR Se as energias renováveis já estão a gerar negócios concretos para a indústria, o hidrogénio surge como um mercado emergente onde a metalomecânica portuguesa pode conquistar uma posição relevante desde uma fase inicial. José João Campos Rodrigues, presidente da direção da Associação Portuguesa para a Promoção do Hidrogénio (AP2H2), considera que muitas empresas ainda não avaliaram plenamente o potencial económico associado a este setor. “A indústria [metalomecânica] não olhou muito para o hidrogénio como oportunidade de investimento”, afirma. Na sua opinião, o hidrogénio continua a ser frequentemente encarado apenas como um combustível alternativo, quando existe uma vasta cadeia de valor associada à sua produção, armazenamento, transporte e utilização. O responsável identifica três grandes segmentos desta fileira: os eletrolisadores, as pilhas de combustível e os sistemas de armazenamento. Todos eles podem gerar oportunidades para a indústria metalomecânica nacional, embora com diferentes níveis de participação. A mais imediata encontra-se, segundo o presidente da AP2H2, no armazenamento de hidrogénio: reservatórios sob pressão, condutas, tubagens e outros sistemas destinados ao transporte de gases são áreas em que a indústria portuguesa dispõe de experiência consolidada, ainda que algumas aplicações exijam adaptações específicas devido às características do hidrogénio, nomeadamente em matéria de pressão e segurança. No caso dos eletrolisadores, José João Campos Rodrigues considera que o potencial económico pode ser ainda mais expressivo. “Um eletrolisador tem um valor de mercado que ronda os dois milhões de euros por megawatt, mas a componente tecnológica própria representa no máximo um terço desse valor”, explica. Uma parte significativa dos restantes equipamentos necessários – como motores, sistemas de pressurização, compressores, sistemas de proteção e diversos componentes auxiliares – “pode ser fabricado e fornecido pela indústria portuguesa”, sublinha. O presidente da AP2H2 recorda ainda que o Plano Nacional Energia e Clima (PNEC) prevê cerca de 3 GW de capacidade de eletrólise. Caso estas metas se concretizem, pode traduzir-se em investimentos na ordem dos seis mil milhões de euros em eletrolisadores e equipamentos associados, criando um mercado de dimensão significativa para fabricantes nacionais de componentes, sistemas auxiliares e equipamentos industriais. Como referido, para José João Campos Rodrigues, o principal obstáculo ao aproveitamento destas oportunidades não reside no know-how técnico das empresas portuguesas, mas no desconhecimento do mercado. “Acho que ainda não estudaram o negócio”, resume. Para inverter esta situação, a AP2H2 tem vindo a promover ações de formação dirigidas a gestores, quadros e decisores empresariais, destinadas a dar a conhecer as tecnologias, os modelos de negócio e as perspetivas de desenvolvimento relacionadas com o setor. A associação está a preparar uma nova edição do curso de introdução à fileira do hidrogénio, com início previsto para outubro. Na perspetiva do responsável, trata-se de uma “iniciativa particularmente útil para empresas que pretendam avaliar o potencial deste mercado e identificar oportunidades de investimento”. CERTIFICAÇÃO, RASTREABILIDADE E SUSTENTABILIDADE TORNARAM-SE FATORES DE COMPETITIVIDADE Se há alguns anos as certificações eram vistas sobretudo como requisitos formais, hoje são uma condição indispensável para participar em projetos internacionais. A crescente complexidade das infraestruturas energéticas e industriais elevou António Pedro, administrador da Metalogalva. C M Y CM MY CY CMY K
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