BM30 - InterMETAL

49 DOSSIER | ENERGIA E INFRAESTRUTURAS truturas críticas exigem uma enorme quantidade de estruturas metálicas, equipamentos industriais, sistemas de suporte, reservatórios, tubagens, componentes maquinados e soluções eletromecânicas. Mas as exigências do mercado já não se limitam ao fornecimento de produtos. Hoje, os grandes promotores e operadores valorizam empresas capazes de intervir desde as fases de conceção até à execução e manutenção dos projetos. É precisamente nesse ponto que a metalomecânica portuguesa procura reforçar o seu posicionamento. Segundo Rafael Campos Pereira, vice- -presidente executivo da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP), a indústria nacional neste ramo ocupa atualmente uma posição central nas cadeias de valor ligadas à energia e às infraestruturas. “Em Portugal, é um setor essencial para transformar investimento em capacidade instalada: redes elétricas, renováveis, equipamentos industriais, estruturas metálicas, manutenção, montagem e soluções à medida”, afirma. O responsável lembra que os acontecimentos recentes demonstraram a importância de dispor de capacidade industrial instalada para responder rapidamente a situações críticas. As tempestades que afetaram infraestruturas energéticas no último inverno ilustraram o papel na manutenção, reparação e reposição atempada de equipamentos. REDES ELÉTRICAS: MERCADO QUE ESTÁ A CRESCER EM SILÊNCIO Embora a atenção mediática recaia frequentemente sobre os grandes parques solares, eólicos ou – os mais recentes – projetos de hidrogénio, muitos especialistas consideram que as redes elétricas constituem uma das maiores oportunidades para a indústria metalomecânica na próxima década. A eletrificação da economia implica investimentos massivos em linhas de transporte, subestações, postos de transformação e sistemas de distribuição capazes de acomodar volumes crescentes de produção renovável. Na visão da AIMMAP, o reforço, a digitalização e a modernização das redes elétricas constituem atualmente uma das áreas com maior potencial de crescimento para as empresas nacionais. A experiência da Metalogalva confirma esta tendência. A empresa refere ter registado um aumento significativo da procura impulsionado pelos investimentos em redes de transmissão e distribuição de energia, telecomunicações e energias renováveis. Nos últimos anos, o grupo participou em diversos projetos internacionais de grande dimensão, incluindo um contrato de 48 milhões de euros associado à transmissão de energia entre a Dinamarca e a Alemanha. Paralelamente, reforçou, em 2023, a sua presença industrial nos Estados Unidos através da expansão da MSS Steel Tubes para duas novas localizações, criando capacidade adicional para responder à crescente procura de componentes destinados às infraestruturas energéticas. Tal como refere António Pedro, administrador da empresa, existe atualmente uma procura particularmente elevada por estruturas para redes de transmissão de grande capacidade e por postes tubulares destinados a infraestruturas críticas. Neste âmbito, “os clientes valorizam sobretudo as competências de engenharia própria, o desenvolvimento de soluções estruturais adaptadas às necessidades específicas de cada projeto e o cumprimento dos calendários de execução cada vez mais exigentes”, é esclarecido. À parte da energia, o potencial estende-se também às infraestruturas de transporte e logística. Segundo a AIMMAP, projetos associados à modernização ferroviária, à construção de pontes, plataformas logísticas e infraestruturas industriais vão igualmente gerar aumento da procura por estruturas metálicas, equipamentos especializados e serviços de engenharia. RENOVÁVEIS GERAM OPORTUNIDADE SEM PRECEDENTES A Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) entende que o atual ciclo de investimento em energias renováveis representa uma oportunidade histórica para a indústria nacional. Para a associação, não está apenas em causa a instalação de novos parques solares e eólicos. O crescimento das renováveis exige uma extensa cadeia de fornecimento que inclui estruturas metálicas, componentes para subestações, sistemas de armazenamento, equipamentos de suporte, montagem, manutenção e serviços especializados de engenharia. O Plano Nacional Energia e Clima (PNEC 2030) prevê atingir cerca de 20,8 GW de capacidade solar fotovoltaica, 12,2 GW de energia eólica e 5,4 GW de armazenamento até 2030. Estas metas traduzem-se na necessidade de “instalar vários gigawatts adicionais de fontes renováveis, construir novas infraestruturas, reforçar significativamente as redes elétricas e desenvolver soluções de armazenamento capazes de integrar mais energia renovável no sistema”. Rafael Campos Pereira, vice-presidente executivo da AIMMAP.

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