31 TECNOLOGIAS PARA CHAPA METÁLICA tos de produção, a pressão sobre o investimento e a crescente concorrência internacional continuam a condicionar as decisões de muitas empresas industriais. “Estamos a ver que o crescimento começa a recuperar ligeiramente, mas a incerteza mantém-se e isso gera problemas aos investidores”, afirmou Stephan Mayer. Neste cenário, a estratégia da empresa passa por reforçar aquilo que considera ser a principal vantagem competitiva da indústria europeia: a inovação tecnológica. “Só poderemos continuar a liderar o mercado mundial se oferecermos algo que os outros ainda não têm”, acrescentou o responsável. Esta diferenciação assenta, sobretudo, na capacidade de integrar inteligência artificial (IA), automatização e serviços digitais em soluções capazes de aumentar a disponibilidade das máquinas, reduzir tempos improdutivos e tornar os processos mais previsíveis. A segurança foi outro dos temas em destaque durante a conferência. Stephan Mayer revelou que entre 10% e 20% do custo de uma máquina da Trumpf está associado ao cumprimento das normas de segurança e da regulamentação europeia. Para além da proteção dos operadores, sublinhou a crescente importância da cibersegurança industrial e da salvaguarda dos dados gerados por equipamentos cada vez mais conectados. Já Hagen Zimer defendeu a necessidade de assegurar condições de concorrência equitativas no mercado europeu. Sem colocar em causa a concorrência internacional, considerou essencial que todos os fabricantes cumpram os mesmos requisitos em matéria de segurança, qualidade e conformidade regulamentar, apelando a um maior controlo sobre os equipamentos importados para a Europa. O PAPEL DECISIVO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL A inteligência artificial foi um dos temas centrais da Intech 2026. Segundo os responsáveis da Trumpf, a tecnologia está já integrada tanto nos processos internos da empresa como nas suas soluções industriais, com aplicações que vão desde a automatização de tarefas administrativas ao controlo de qualidade por visão artificial e à manutenção preditiva baseada na análise de dados. Hagen Zimer destacou como exemplo a produção de componentes para centros de dados, onde a crescente complexidade dos processos exige níveis de precisão que ultrapassam a capacidade de inspeção humana. "Há tarefas de controlo visual que já não podem ser realizadas apenas por pessoas; precisamos da inteligência artificial para garantir a qualidade", afirmou. Tanto Zimer como Stephan Mayer defenderam ainda que a IA desempenhará um papel decisivo na resposta à escassez de mão de obra qualificada, acelerando atividades como o desenvolvimento de software, a programação de robôs e a engenharia de processos. No caso da robótica, Zimer salientou que a inteligência artificial está a simplificar significativamente a programação dos equipamentos, tornando a sua implementação mais rápida e flexível. Quanto aos robôs humanoides, reconheceu que ainda apresentam limitações, mas considera que a evolução tecnológica está a aproximá-los, de forma progressiva, da versatilidade de um operador humano. A IA TAMBÉM PRECISA, E MUITO, DE CHAPA METÁLICA “A IA precisa de muita chapa metálica.” A frase, proferida por Hagen Zimer durante a conferência de imprensa, foi uma das ideias mais repetidas ao longo do evento. E não por acaso. A expansão da inteligência artificial está a acelerar a construção de centros de dados em todo o mundo. Embora frequentemente associados ao software, estes projetos dependem de uma infraestrutura física extremamente complexa: armários para servidores, estruturas metálicas, sistemas de Stephan Mayer e Hagen Zimer partilharam a visão da Trumpf sobre os desafios da indústria europeia, abordando a concorrência asiática, a evolução dos mercados e a importância de normas que assegurem a qualidade e a segurança dos produtos. A mesa-redonda foi moderada por Ramona Hönl, portavoz da Divisão de Máquinas-Ferramenta da Trumpf.
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