28 ANÁLISE DE MERCADO SINES PODE CRIAR UM NOVO MERCADO PARA A INDÚSTRIA PORTUGUESA DA CHAPA A expansão dos centros de dados está a fomentar a procura por componentes metálicos de elevada precisão. Com o investimento da Start Campus em Sines e a crescente aposta das grandes tecnológicas na inteligência artificial, as empresas portuguesas de transformação de chapa, corte laser, quinagem e soldadura poderão encontrar um novo segmento de elevado valor acrescentado. Luísa Santos Nos últimos anos, a indústria metalomecânica encontrou nos setores automóvel, ferroviário, energético ou da construção alguns dos seus principais motores de crescimento. Agora, começa a emergir um novo mercado que, embora menos visível, promete gerar uma procura significativa por componentes metálicos produzidos com elevados níveis de precisão: os centros de dados. O crescimento exponencial da inteligência artificial, da computação na cloud e da digitalização da economia está a obrigar as grandes empresas tecnológicas a investir milhares de milhões de euros em novas infraestruturas capazes de suportar volumes de processamento sem precedentes. Por detrás de cada modelo de IA, de cada pesquisa online ou de cada aplicação alojada na cloud existe um centro de dados onde milhares de servidores funcionam continuamente, exigindo soluções sofisticadas de alimentação elétrica, refrigeração, segurança e conectividade. Portugal está agora a posicionar-se neste novo mapa europeu da infraestrutura digital. A entrada em operação do edifício SIN01 da Start Campus, em Sines, representa apenas a primeira fase de um projeto que prevê a construção de um campus com capacidade total de 1,2 GW, tornando-o um dos maiores complexos de centros de dados da Europa, preparado para responder às exigências das aplicações de inteligência artificial e computação de elevado desempenho. Mais recentemente, o projeto ganhou uma nova dimensão com o anúncio da instalação de mais de 66 mil GPUs NVIDIA Rubin, destinadas à infraestrutura de IA da Microsoft, através da parceria entre a Nscale e a Start Campus. O investimento, que inclui centenas de milhões de euros em novas infraestruturas, reforça o papel de Sines como um dos principais polos europeus para a inteligência artificial.
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