BM30 - InterMETAL

27 ANÁLISE DE MERCADO aplicação na indústria metalomecânica é sobretudo prática e orientada para a melhoria dos processos. Os algoritmos de aprendizagem automática começam a ser utilizados para otimizar parâmetros de corte, prever desvios dimensionais, antecipar necessidades de manutenção e melhorar o aproveitamento da matéria-prima. Em muitos casos, a IA permite identificar padrões que dificilmente seriam detetados por operadores ou programadores, contribuindo para reduzir desperdícios e aumentar a estabilidade dos processos. Na programação CAM, por exemplo, a inteligência artificial começa a apoiar a criação automática de estratégias de maquinação e de corte mais eficientes, enquanto os sistemas de ‘nesting’ recorrem a algoritmos avançados para maximizar o aproveitamento das chapas e reduzir a produção de sucata. O resultado traduz-se em ganhos económicos imediatos, particularmente relevantes num contexto de matérias- -primas e energia com custos elevados. DIGITAL TWINS E SIMULAÇÃO ACELERAM A INOVAÇÃO Outra das tecnologias que deverá ganhar maior expressão nos próximos anos é o Digital Twin. A criação de réplicas virtuais de máquinas, linhas de produção ou mesmo fábricas completas permite testar configurações, simular alterações de processo e validar novos produtos antes da produção física. Para além da redução dos tempos de desenvolvimento, esta abordagem diminui os custos associados a protótipos, ensaios e correções posteriores. Segundo a organização da EuroBlech, esta tecnologia é cada vez mais usada na demonstração da conformidade regulamentar, pois permite simular consumos energéticos, comportamento dos materiais ou desempenho estrutural sem necessidade de recorrer a sucessivos testes físicos. AUTOMAÇÃO FLEXÍVEL PARA RESPONDER A MERCADOS MAIS VOLÁTEIS A automação industrial sempre esteve associada a grandes séries. Hoje já não é assim. A crescente diversidade de produtos, a redução dos ciclos de vida e a necessidade de responder rapidamente às encomendas obrigam as empresas a investir em soluções capazes de alternar entre diferentes referências sem perdas significativas de produtividade. Falamos, por exemplo, de robôs colaborativos, veículos autónomos, sistemas automáticos de armazenamento, células flexíveis de produção e equipamentos com tempos de preparação reduzidos. Estas soluções não têm necessariamente de substituir os operadores. Podem, aliás, libertá-los para tarefas de maior valor acrescentado, numa altura em que a escassez de mão de obra qualificada continua a ser um dos principais constrangimentos ao crescimento da indústria europeia. SUSTENTABILIDADE: UM FATOR DE COMPETITIVIDADE A sustentabilidade já não pode ser encarada como uma mera obrigação regulamentar. Até porque as medidas adotadas para reduzir o consumo energético, aumentar o rendimento da matéria-prima e valorizar os resíduos também contribuem para diminuir os custos de produção. Esta realidade explica a crescente procura por equipamentos de elevada eficiência energética, como lasers de fibra de nova geração, quinadoras servoelétricas, sistemas inteligentes de soldadura ou compressores de velocidade variável. Em paralelo, aumenta o investimento em software de monitorização energética, sistemas de recuperação de calor e produção de energia renovável nas próprias instalações industriais. Medidas relativamente simples (como auditorias energéticas, otimização do ‘nesting’ ou instalação de painéis fotovoltaicos) podem representar ganhos significativos tanto do ponto de vista económico como ambiental. DADOS, INTEGRAÇÃO E RASTREABILIDADE Finalmente, cabe alertar para a importância dos fluxos de informação, principalmente neste contexto de mudança. A integração entre sensores, máquinas, software de gestão e plataformas analíticas permite acompanhar em tempo real indicadores de produção, consumo energético, qualidade e manutenção, criando condições para decisões mais rápidas e fundamentadas. Ao mesmo tempo, a rastreabilidade integral dos materiais é um requisito indispensável para setores como a aeronáutica, a defesa, a energia ou a indústria automóvel, onde a documentação técnica e a conformidade regulamentar são hoje tão importantes como a qualidade do produto final. A fábrica inteligente não é, por isso, apenas uma fábrica automatizada. É uma organização capaz de transformar dados em conhecimento e conhecimento em vantagem competitiva. n As empresas já não competem apenas pela capacidade produtiva, mas sobretudo pela rapidez com que conseguem adaptar-se

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