Para as empresas que trabalham chapa metálica, estas mudanças traduzem- -se numa realidade muito concreta: a competitividade já não depende apenas da qualidade dos equipamentos ou da produtividade das linhas de fabrico. Depende também da capacidade para responder rapidamente a alterações nos mercados, garantir o abastecimento de materiais, reduzir consumos energéticos, assegurar rastreabilidade e integrar tecnologias digitais capazes de tornar a produção mais flexível e resiliente. Neste artigo, analisamos em detalhe os aspetos que pautam esta alteração de paradigma e as tendências a que as empresas portuguesas devem estar atentas. DA GLOBALIZAÇÃO AO FABRICO REGIONAL Ao longo de mais de duas décadas, a internacionalização das cadeias de abastecimento permitiu reduzir custos e aumentar a especialização produtiva. Contudo, os acontecimentos recentes vieram demonstrar que a dependência excessiva de fornecedores localizados em regiões distantes pode transformar-se rapidamente num fator de risco. Segundo a organização da EuroBlech, a resposta de muitas empresas passa agora por diversificar fornecedores, regionalizar parte da produção e aumentar a capacidade de adaptação a alterações no comércio internacional. A implementação de processos de fabrico mais próximos dos mercados finais (frequentemente designada por ‘nearshoring’ ou ‘reshoring’) procura reduzir tempos de entrega, minimizar riscos logísticos e responder de forma mais eficaz às novas exigências regulamentares. Esta tendência não significa o fim da globalização, mas sim uma nova fase em que a resiliência ganha um peso semelhante ao da eficiência económica. Para muitos fabricantes europeus, manter uma rede de fornecimento mais diversificada tornou-se tão importante como investir em novos equipamentos. Ao mesmo tempo, cresce a importância da rastreabilidade dos materiais. A necessidade de comprovar a origem das matérias-primas, cumprir requisitos ambientais e responder a novas regras comerciais obriga as empresas a investir em sistemas digitais capazes de acompanhar todo o ciclo produtivo. UM MERCADO QUE CONTINUA A CRESCER Apesar da incerteza económica internacional, as perspetivas para o mercado mundial da transformação de chapa permanecem positivas. As diferentes consultoras internacionais convergem na previsão de um crescimento sustentado ao longo da próxima década, ainda que apresentem estimativas distintas quanto ao ritmo dessa evolução. A The Insight Partners prevê que o mercado global aumente de 317,5 mil milhões de dólares em 2025 para cerca de 540 mil milhões em 2034, correspondendo a uma taxa média anual de crescimento superior a 6%. Outros estudos apontam para ritmos de crescimento mais moderados, mas igualmente consistentes, refletindo uma conclusão comum: a procura por componentes metálicos transformados continuará a aumentar, impulsionada sobretudo pelos investimentos industriais, pela modernização das infraestruturas, pela eletrificação da economia e pela expansão dos setores tecnológico e energético. Na Europa, embora o crescimento seja naturalmente mais contido do que em algumas economias asiáticas, a transformação de chapa beneficia de um forte tecido industrial e de uma aposta crescente na modernização tecnológica. Estudos recentes apontam para uma evolução positiva do mercado europeu até ao final da década, sustentada pela renovação do parque industrial, pelo investimento em equipamentos mais eficientes e pelo reforço da produção local. OS SETORES QUE ESTÃO A IMPULSIONAR O INVESTIMENTO Ao contrário do que aconteceu em ciclos anteriores, o crescimento da indústria da chapa já não depende exclusivamente do setor automóvel. A qualidade da quinagem é determinante para o bom resultado do produto final. 25 ANÁLISE DE MERCADO
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